Nunca escondi de ninguém que sou Palmeirense e que nunca torci pelo Jaboticabal Atlético. Até explico o porquê das duas opções. Mas desde criança quando assistia aos jogos do Palestra junto com o meu avô, sempre mantive uma segunda paixão: o futsal. Mesmo nos anos das vacas magras em que Jaboticabal era representado por pratas da casa na Taça Eptv, que era a única competição que a cidade disputava, eu estava lá torcendo.
Tudo foi muito bem durante vários anos, pra ser preciso desde 1989, tudo acontecia como no dito popular “nas mil maravilhas”. Torcia pelo Palmeiras no gramado e na quadra pelas equipes de Jaboticabal, independentemente se fosse ADC Stéfani ou Unimed. Mas ao acessar ao site da Federação Paulista de Futsal, no último mês de agosto se não me engano, acabei me deparando com uma situação inusitada: Palmeiras e Unimed estavam na mesma chave do Paulista Série Ouro. Confesso que não gostei de ver que as duas equipes pelas quais torço iriam se enfrentar, todavia que Palmeiras independentemente do piso que fosse jogar era e sempre será o Palmeiras. Mas ainda tinha um tempo para me acostumar com tal situação.
Mas o tempo passou. E o dia do confronto chegou. Unimed/Del iria enfrentar o Palmeiras, isso mesmo, o meu Palmeiras, como de fato aconteceu no último sábado. Preparei-me como sempre, mas dessa vez tomei o cuidado de não vestir nenhuma camiseta do Palmeiras ou de qualquer outro time como sempre faço e fui para o jogo meio que me sentindo um cachorro que caiu da mudança. Afinal de contas pra quem iria torcer? Chegando ao suntuoso ginásio do Mônaco, conversei com alguns jogadores da Unimed, desejei boa sorte, falei também com alguns torcedores e fiquei em pé no meio da quadra, precisamente no último degrau. E de lá pude presenciar o confronto. Assisti um Palmeiras mais objetivo e uma Unimed que acabou perdendo para os seus próprios erros.
Como já havia acontecido na partida contra o Suzano/Ulbra, a equipe de Osasco veio preparada para marcar e explorar os contra ataques e as falhas da equipe local. A Unimed começou bem, tocando a bola e chegando ao gol do Palmeiras. O tempo foi passando e ainda no primeiro tempo, em um passe errado, o Palmeiras abriu o placar. O Verdão explorando o contra ataque fez o segundo e com um gol de Gessé, a Unimed reduziu a diferença.
Nesse momento se ainda existisse alguma dúvida, tive a certeza que era para a Unimed que estava torcendo e tinha quase que certeza que o segundo tempo ficaria marcado por mais uma grande virada da equipe da casa como pude presenciar outras vezes. Mas não foi o que aconteceu. A Unimed começou o segundo tempo perdendo muitos gols. O Palmeiras, que se mostrou uma equipe bastante objetiva e dedicada, se aproveitando do nervosismo que tomou conta da equipe da casa e acabou vencendo por 6 a 4. O resultado foi um balde de água fria na torcida que após o excelente empate conquistado em São José na última quarta, esperava uma apresentação de gala dos comandados do técnico Massami. A Unimed volta a quadra amanhã pela Taça Record. Pelo Paulista Série Ouro, o próximo jogo será contra Garça na próxima semana no Ginásio do Doutor Mônaco.
Ao final do jogo, a minha história pessoal nesse jogo acabou com uma pitada de traição e desapontamento. Afinal trai o meu time de coração ao torcer pela equipe da casa e me desapontei, pois esperava uma bela vitória da Unimed para que a equipe pudesse deslanchar no campeonato. Fazer o que... Nem tudo é perfeito! Ainda bem que em termos de futebol de campo não tenho e nunca terei dúvidas. Tanto que no domingo vibrei como nunca ao ver o meu Verdão vencer o Cruzeiro. Agora no próximo jogo entre Palmeiras e Unimed vou tentar neutralizar os meus instintos. Como se isso fosse possível. Até a próxima.
